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sábado, 30 de abril de 2011

Educação


DESAFIOS PARA A EDUCAÇÃO RIBEIRENSE
Análise do acesso à Educação Superior, a partir da realidade do povoado de Raspador.


A situação dos estudantes em nosso município, é de enfrentarem muitas dificuldades, com pouquíssimo incentivo para prosseguir os seus estudos. Alguns conseguiram adentrar no universo acadêmico, e representam o futuro de esperança e de transformação da sociedade.

As condições socioeconômicas, transporte e a distância até o local de estudo, são os principais obstáculos enfrentados por eles, no entanto, buscam motivação e acreditam na perspectiva de um futuro melhor, diferente dos seus pais e alguns munícipes.


Edjane Souza de Oliveira, 18 anos, acadêmica do 3º período de pedagogia do polo da Unit, Simão Dias-SE, relatou:


Enfrento muitas dificuldades para chegar até lá, principalmente devido ao transporte, às más condições da estrada e a distância do percurso, que é de cerca de 80 km. O frio e o cansaço da viagem são fatores negativos e exaustivos que enfrentamos frequentemente, porém, tenho certeza que todo esse esforço, no futuro, irá valer à pena.
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Quando indagamos sobre a possibilidade de prestar serviços para a comunidade, depois de formada, ela respondeu:
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Certamente irei ajudar a comunidade em que vivo, pois sei que a minha profissão é determinante e de fundamental importância para formação de cidadãos melhores.

A realidade do nosso município, infelizmente, não proporciona aos estudantes a expectativa e possibilidade de realizarem seus sonhos, irem além do Ensino Médio e cursarem uma faculdade/universidade, pois tanto em Ribeira do Amparo, como em determinados lugares do Brasil, os investimentos para com a Educação são insuficientes, como também a mesma não é vista pelos líderes políticos como algo essencial, “vital”, e extremamente necessário para o progresso desta nação, mantendo-se neste paradigma, nosso país caminhará a passos lentos rumo ao desenvolvimento, e ao bem-estar da população.

Entretanto, através de dados coletados de nossas pesquisas com 20 jovens universitários do povoado Raspador, constatou-se o seguinte:

A maior parte dos estudantes cursa áreas voltadas para o ensino, não por amor ou sonho de exercerem a futura carreira, mas por falta ou uma das opções de trabalho em nossa região depois que concluírem os estudos. É importante ressaltar que muitos fazem esse curso por ser de baixo custo. Enfermagem, contabilidade e direito vêm logo atrás, devido aos altos valores de suas mensalidades e despesas, porém oferecem maior remuneração e “status” social.

Dentre os acadêmicos, a maioria estuda em Paripiranga e Tobias Barreto e pretendem ao final de seus cursos, aprofundarem-se ou especializarem-se em suas respectivas áreas, como já dizia Condorcet: O homem que ao terminar sua educação, não continuar a fortalecer sua razão, alimentar como novos conhecimentos os que já adquiriu, corrigir os erros ou retificar as noções incompletas que tiver recebido, logo verá desaparecer todo o fruto de seu trabalho dos primeiros anos, e o tempo apagaria as primeiras impressões que não tivessem sido renovadas por outros estudos.

Em Raspador poucos universitários são bolsistas ou não pagam para estudar, mais precisamente dois gozam deste privilégio, Erik Michel, que passou no vestibular de uma Universidade Federal, e Adriely, por meio do Enem/PROUNI. É muito difícil conseguir tal benefício, sendo a concorrência muito desleal, pois a educação de nosso município não nos possibilita competir de igual para igual contra estudantes de outras regiões.

O PROUNI e o FIES são programas do governo, que possibilitam a entrada de jovens de baixa renda na faculdade, assim sendo, podemos citar o exemplo de Vanderlei Soares dos Santos, 26 anos, agente de serviços e universitário do 4º período de administração da Faculdade Ages, Paripiranga- BA, que faz curso financiado pelo FIES. Filho de dona de casa e lavrador está foi uma das únicas opções que restou-lhe para poder cursar uma faculdade. Ao final do curso pretende especializar-se na sua área, cursar direito e prestar serviços a comunidade abrindo uma consultoria.

(Vanderlei Santos)

Conforme ele: “a prefeitura municipal deveria fazer um convênio com a faculdade, para que os alunos destaque do município pudessem adentrar no ensino superior e também para que os demais se motivassem a estudar e conseguir a bolsa”.  

Desta forma, precisamos persistir diante das dificuldades para realizarmos nossos sonhos, mudarmos as “regras do jogo”, transformarmos a sociedade e percorrermos caminhos que nos levem ao progresso, mesmo perante tantos desafios e falta de apoio dos órgãos governamentais que querem nos manter de olhos fechados e estáticos diante da realidade de Ribeira do Amparo.

Assim, devemos acreditar e consolidar com a atitude de arriscar. “Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena acreditar nos sonhos que se tem ou que seus planos nunca vão dar certo ou que você nunca vai ser alguém (...). Quem acredita sempre alcança!” (Renato Russo).

Matéria: Equipe 01 - Terceiro Ano C 

sábado, 29 de agosto de 2009


AMAR É UM ATO DE CORAGEM

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O Trabalho com os alunos e alunas do Colégio Estadual Josefa Soares de Oliveira, tem como um dos seus fundamentos o conceito de Educomunicação, a saber
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“Educomunicação é o nome dado ao campo de reflexão/ação que une as áreas de Educação e Comunicação Social. Consiste, basicamente, em utilizar as tecnologias e as linguagens das mídias para que as pessoas e os grupos expressem o que sentem e pensam e, assim, decidam o que querem para si mesmas e para o mundo em que vivem.

O que torna peculiar a Educomunicação é que ela recupera e atualiza um dos temas mais dignificantes da nossa história: a co-gestão , isto é, a real possibilidade de uma outra forma de convivência social, fundada na valorização do indivíduo como sujeito, no respeito ao outro e na tomada conjunta de decisões.

Porque se trata de uma proposta de educação para a co-existência, os processos são mais importantes que os produtos. Cada grupo, de acordo com as suas necessidades e possibilidades, cria o que quer, o que pode e o que consegue. E é assim que precisa ser re-conhecido e respeitado.

Assim, a Educomunicação é, antes de tudo, uma forma de intervenção social.”

Além do conceito de Educomunicação, trabalhamos a partir dos postulados do grande educador brasileiro Paulo Freire que se indagava, dentre outras coisas, sobre: “A Máquina está a serviço de quem?”, falando acerca da utilidade do uso do computador. Ainda com Paulo Freire, primamos para que a Leitura de Mundo dos/as educandos/as seja estimulada.

A frase em epígrafe no blog, “A educação é um ato fundamentalmente político”, exprime a consonância do nosso trabalho com o pensamento deste saudoso Mestre. Ele, como nenhum outro, compreendeu que a verdadeira Educação deve ter como meta a liberdade do pensamento humano, quebrar os grilhões que nos prendem a uma realidade de opressão. Política é a ciência do bem comum, estamos zelando para isso.

Como educadora e ribeirense estou feliz com os resultados deste trabalho de reflexão-ação com os/as meus/minhas alunos/as. Ao chegar no colégio já sou recebida com perguntas sobre notícias, textos, pensamentos para o blog.

O que antes era do senso comum hoje é pensado, analisado, apurado e tratado cientificamente. Isso numa cidade que figura dentre as mais carentes do Brasil. Segundo os últimos dados do IBGE possuimos um índice de analfabetismo de 43%, das pessoas acima de 15 anos. Por isso o que está acontecendo é extraordinário, do ponto de vista educacional e humano.

Infelizmente algumas pessoas ligadas ao poder, aquelas que não desejam que o povo seja verdadeiramente independente e livre, tem exercido uma perseguição implacável contra este trabalho. A tal ponto se exerce a perseguição, que de maneira pública e notória o então Secretário de Governo de Ribeira do Amparo tentou incitar alguns policiais militares contra este trabalho sério, mas sem obter resultado.

A intervenção rasa e parcial deste indivíduo, poderia ser considerada uma tentativa de ameaça a minha integridade física, pois o que intenta uma pessoa ao dizer a outra, no caso aos policias, que estariam sendo “esculhambados na internet”? Só mesmo uma pessoa débil ou extremamente conveniente e maldosa para fazer isso. A matéria dos policiais viu os dois lados da moeda, e quem não viu isso é que ou não sabe ler ou não quer enxergar.

Nos perguntamos o que pessoas como estas já fizeram por Ribeira do Amparo? A resposta é muito simples: NADA. O pior é que ainda tentam “acabar” com as pessoas que verdadeiramente gostam de Ribeira. Há três anos faço o trajeto Salvador-Ribeira para vir dar aulas na minha cidade, sem que o estado me pague um centavo pelo deslocamento. R$ 580,00 de salário e R$ 400,00 reais de transporte, onde principalmente no primeiro ano penei nos ônibus pelas madrugadas, quantas vezes sem dinheiro, cansada, sujeita aos perigos, em prol de um ideal, de uma utopia. Ao contrário dos vampiros do dinheiro do meu povo, eu pago para estar aqui.

Felizmente, na contramão do pensamento pequeno, o blog está recebendo elogios de pessoas que entendem da relevância do trabalho. Gostaria de agradecer especialmente ao jornalista Joilson Costa pela referência positiva no seu programa, como trabalho em Salvador parte da semana, sou comunicada pelos alunos que são ouvintes, e é perceptível a elevação da auto-estima por serem vistos, ouvidos, valorizados. Antes as suas falas não repercutiam, agora percebem que vale a pena falar, pois serão ouvidos.

Em suma, saímos do torpor, senso comum e invisibilidade para um significativo trabalho de construção coletiva de uma identidade calcada na Leitura de Mundo e liberdade de consciência, defendida por Paulo Freire. Isso a partir dos recursos da Educomunicação.

E é com Freire que fechamos este artigo, quando ele diz: Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão”. Continuaremos firmes e coerentes. Pois, ainda segundo o nosso Mestre de barbas brancas: “Amar é um ato de coragem”!... Por isso não temos medo.

Professora Daiane Oliveira.


Para saber mais sobre Paulo Freire e Educomunicação

http://www.paulofreire.org/Capa/WebHome

http://www.paulofreire.org/twiki/pub/Crpf/CrpfAcervo000040/Obra_Artigos_A_maquina_esta_a_servico_de_quem_1984_v5.pdf

http://www.cultura.gov.br/vidasparalelas/?page_id=825


terça-feira, 21 de julho de 2009

Educação

Ribeira Plugada

Este espaço será dedicado aos acontecimentos relativos a nossa cidade, Ribeira do Amparo. Será capitaneado pelos alunos e alunas da Escola Estadual Josefa Soares de Oliveira. Trabalho sob orientação da Professora de História: Daiane Oliveira.

Sejam bem-vindos(as!