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sábado, 29 de agosto de 2009


AMAR É UM ATO DE CORAGEM

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O Trabalho com os alunos e alunas do Colégio Estadual Josefa Soares de Oliveira, tem como um dos seus fundamentos o conceito de Educomunicação, a saber
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“Educomunicação é o nome dado ao campo de reflexão/ação que une as áreas de Educação e Comunicação Social. Consiste, basicamente, em utilizar as tecnologias e as linguagens das mídias para que as pessoas e os grupos expressem o que sentem e pensam e, assim, decidam o que querem para si mesmas e para o mundo em que vivem.

O que torna peculiar a Educomunicação é que ela recupera e atualiza um dos temas mais dignificantes da nossa história: a co-gestão , isto é, a real possibilidade de uma outra forma de convivência social, fundada na valorização do indivíduo como sujeito, no respeito ao outro e na tomada conjunta de decisões.

Porque se trata de uma proposta de educação para a co-existência, os processos são mais importantes que os produtos. Cada grupo, de acordo com as suas necessidades e possibilidades, cria o que quer, o que pode e o que consegue. E é assim que precisa ser re-conhecido e respeitado.

Assim, a Educomunicação é, antes de tudo, uma forma de intervenção social.”

Além do conceito de Educomunicação, trabalhamos a partir dos postulados do grande educador brasileiro Paulo Freire que se indagava, dentre outras coisas, sobre: “A Máquina está a serviço de quem?”, falando acerca da utilidade do uso do computador. Ainda com Paulo Freire, primamos para que a Leitura de Mundo dos/as educandos/as seja estimulada.

A frase em epígrafe no blog, “A educação é um ato fundamentalmente político”, exprime a consonância do nosso trabalho com o pensamento deste saudoso Mestre. Ele, como nenhum outro, compreendeu que a verdadeira Educação deve ter como meta a liberdade do pensamento humano, quebrar os grilhões que nos prendem a uma realidade de opressão. Política é a ciência do bem comum, estamos zelando para isso.

Como educadora e ribeirense estou feliz com os resultados deste trabalho de reflexão-ação com os/as meus/minhas alunos/as. Ao chegar no colégio já sou recebida com perguntas sobre notícias, textos, pensamentos para o blog.

O que antes era do senso comum hoje é pensado, analisado, apurado e tratado cientificamente. Isso numa cidade que figura dentre as mais carentes do Brasil. Segundo os últimos dados do IBGE possuimos um índice de analfabetismo de 43%, das pessoas acima de 15 anos. Por isso o que está acontecendo é extraordinário, do ponto de vista educacional e humano.

Infelizmente algumas pessoas ligadas ao poder, aquelas que não desejam que o povo seja verdadeiramente independente e livre, tem exercido uma perseguição implacável contra este trabalho. A tal ponto se exerce a perseguição, que de maneira pública e notória o então Secretário de Governo de Ribeira do Amparo tentou incitar alguns policiais militares contra este trabalho sério, mas sem obter resultado.

A intervenção rasa e parcial deste indivíduo, poderia ser considerada uma tentativa de ameaça a minha integridade física, pois o que intenta uma pessoa ao dizer a outra, no caso aos policias, que estariam sendo “esculhambados na internet”? Só mesmo uma pessoa débil ou extremamente conveniente e maldosa para fazer isso. A matéria dos policiais viu os dois lados da moeda, e quem não viu isso é que ou não sabe ler ou não quer enxergar.

Nos perguntamos o que pessoas como estas já fizeram por Ribeira do Amparo? A resposta é muito simples: NADA. O pior é que ainda tentam “acabar” com as pessoas que verdadeiramente gostam de Ribeira. Há três anos faço o trajeto Salvador-Ribeira para vir dar aulas na minha cidade, sem que o estado me pague um centavo pelo deslocamento. R$ 580,00 de salário e R$ 400,00 reais de transporte, onde principalmente no primeiro ano penei nos ônibus pelas madrugadas, quantas vezes sem dinheiro, cansada, sujeita aos perigos, em prol de um ideal, de uma utopia. Ao contrário dos vampiros do dinheiro do meu povo, eu pago para estar aqui.

Felizmente, na contramão do pensamento pequeno, o blog está recebendo elogios de pessoas que entendem da relevância do trabalho. Gostaria de agradecer especialmente ao jornalista Joilson Costa pela referência positiva no seu programa, como trabalho em Salvador parte da semana, sou comunicada pelos alunos que são ouvintes, e é perceptível a elevação da auto-estima por serem vistos, ouvidos, valorizados. Antes as suas falas não repercutiam, agora percebem que vale a pena falar, pois serão ouvidos.

Em suma, saímos do torpor, senso comum e invisibilidade para um significativo trabalho de construção coletiva de uma identidade calcada na Leitura de Mundo e liberdade de consciência, defendida por Paulo Freire. Isso a partir dos recursos da Educomunicação.

E é com Freire que fechamos este artigo, quando ele diz: Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão”. Continuaremos firmes e coerentes. Pois, ainda segundo o nosso Mestre de barbas brancas: “Amar é um ato de coragem”!... Por isso não temos medo.

Professora Daiane Oliveira.


Para saber mais sobre Paulo Freire e Educomunicação

http://www.paulofreire.org/Capa/WebHome

http://www.paulofreire.org/twiki/pub/Crpf/CrpfAcervo000040/Obra_Artigos_A_maquina_esta_a_servico_de_quem_1984_v5.pdf

http://www.cultura.gov.br/vidasparalelas/?page_id=825


segunda-feira, 17 de agosto de 2009


A ANGÚSTIA DOS ALUNOS DO MAGISTÉRIO

Os alunos do Magistério ministrado gratuitamente pela Prefeitura Municipal de Ribeira do Amparo temem perder o seu esforço e o tempo de estudo, isso devido a situação aparentemente IRREGULAR DO CURSO. Um dos indícios mais forte desta irregularidade é o fato de que quem já concluiu o curso, não consegue receber o certificado e nem explicações convincentes sobre a razão para não receber.

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Segundo, alguns dos profissionais responsáveis pela administração e realização do curso nas localidades (povoados) pertencentes ao mesmo distrito, esse Magistério realmente não está legalizado - reconhecido pelo MEC. Mas, os mesmos afirmam que foi dado à prefeitura o prazo de 150 dias, a fim de que esta tome as devidas providências, para a regulamentação do curso.

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Também os alunos que ainda cursam o mesmo Magistério, há apenas um ano e meio da conclusão, já se preocupam com a idéia de que os anos de estudo podem ter sido em vão. Desse modo, não se vêem motivados no desempenho das atividades constituintes do currículo desse grau.


Equipe 4, Segundo Ano E

NOTA

Participava da Secretaria de Educação quando foram criados os cursos de Magistério em Ribeira, e pedi veementemente PARA QUE NÃO FOSSEM CRIADOS, pois não caberia mais aos municípios ofertarem o Ensino Médio, seria prerrogativa dos estados. Porém, o que movia esta idéia era “o sonho” de abocanhar uma fatia do FUNDEB, que viria a substituir o FUNDEF, cujo valor-aluno seria bem maior que o que até então era repassado.

As cifras do FUNDEB despertaram a ganância dos políticos de carteirinha, e misturado com a ignorância deles quanto à regulamentação das verbas, em que os estados se especializariam progressivamente com o Ensino Médio, e as Prefeituras com os demais segmentos, começou uma corrida insana para capturarem alunos. OS ALUNOS SE TORNARAM MEROS NÚMEROS.

Vejam,

Valor por aluno/ano, no Estado da Bahia do FUNDEF - 2006

ENSINO FUNDAMENTAL:

SÉRIES INICIAIS - URBANA: 744,68

SÉRIES INICIAIS - RURAL: 759,57

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Valor anual por aluno estimado no Estado da Bahia, do FUNDEB - 2009


ENSINO FUNDAMENTAL:

SÉRIES INICIAIS - URBANA: 1.350,09

SÉRIES INICIAIS - RURAL: 1.417,60

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ENSINO MÉDIO:

URBANO: 1.620,11

RURAL: 1.687,61

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No entanto, de que vale estar certo, quando os que têm poder de mandar são os que estão errados? A minha fala não foi ouvida, e os cursos foram abertos de qualquer jeito. O resultado desta aberração se vê hoje. Marcello Britto abriu os cursos, e depois deles TODOS QUE O SUCEDERAM NÃO SE IMPORTARAM com a questão.

Só que o tempo passa e as atitudes geram conseqüências. E como reza a História, os poderosos tomam as decisões, o povo paga a conta. Centenas de alunos e alunos com quatro de Magistério, oficialmente até agora NULOS, é a triste realidade da nossa terra, neste momento. Situação compartilhada por alguns outros municípios vizinhos.

Para finalizar, é importante divulgar que lenta e finalmente perceberam, na Prefeitura de Ribeira, que não há "grana" para o Ensino Médio. E o resultado disso? Vários alunos foram devolvidos, praticamente no meio deste ano, para o nosso colégio estadual. Sem maiores explicações, quem se matriculou no Magistério se viu agora matriculado no curso de Formação Geral.

Esta é a dura realidade de como se trata o povo: de qualquer jeito, sem explicações, sem cuidado, sem pensar que no contexto educacional nós lidamos com o futuro das pessoas. A sensação de impotência toma conta, e é por isso que ainda acredito que só uma atuação paulofreriana nossa, educadores e educadoras, é que poderá ajudar a mudar tudo isso, trabalhando a consciência crítica e cidadã.

Aguardem aqui mais notícias sobre o problema do Magistério em Ribeira do Amparo. Consultei uma pessoa da Secretária da Educação do Estado, em nome dos estudantes, que dará um parecer sobre o caso. De antemão só me disse que é, “MUITO COMPLICADO”.

Professora Daiane Oliveira

PARA SABER MAIS

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“Instituído pela Emenda Constitucional nº 53, de 19 de dezembro de 2006, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – Fundeb é um fundo de natureza contábil, regulamentado pela Medida Provisória nº 339, posteriormente convertida na Lei nº 11.494/2007. Sua implantação foi iniciada em 1º de janeiro de 2007, de forma gradual, com previsão de ser concluída em 2009, quando estará funcionando com todo o universo de alunos da educação básica pública presencial e os percentuais de receitas que o compõem terão alcançado o patamar de 20% de contribuição. O Fundeb substituiu o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério - Fundef, que só previa recursos para o ensino fundamental.

Os recursos do Fundo destinam-se a financiar a educação básica (creche, pré-escola, ensino fundamental, ensino médio e educação de jovens e adultos). Sua vigência é até 2020, atendendo, a partir do terceiro ano de funcionamento, 47 milhões de alunos. Para que isto ocorra, o aporte do governo federal ao Fundo, de R$ 2 bilhões em 2007, aumentará para R$ 3 bilhões em 2008, R$ 5 bilhões em 2009 e 10% do montante resultante da contribuição de estados e municípios a partir de 2010.”

http://www.fnde.gov.br/home/index.jsp?arquivo=fundeb.html#consultas