quarta-feira, 23 de dezembro de 2009


FALTA EMPATIA
Ou como é tosco o ser humano.

Empatia é a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro... Imprescindível para o desenvolvimento da nossa humanidade sensível e atenta ao bem comum.

Apesar de ser tão importante, a empatia não é algo tão usual assim. Sabemos que impera na dinâmica pós-moderna o egoísmo, que é exatamente a incapacidade de nos colocarmos no lugar do outro, já que neste caso orbitarmos em torno de nós mesmos.

Os últimos dias tem sido um bombardeio de coisas que afetam a nossa humanidade, ou a prova cabal da nossa falta de empatia... É um menino cravado de agulhas ali... Uma família esmagada por um militar fazendo pega acolá... Fora um abrigo onde viviam aproximadamente 90 idosos, literalmente enjaulados.

Quem somos nós? Onde vamos parar?

O conceito de humanidade está diretamente relacionado à nossa capacidade de modificar a natureza, para criar um novo lócus onde tivéssemos proteção: da chuva, do frio, do sol, da fome, da morte.

Fugíamos da dor, por isso criamos a chamada sociedade. No entanto, ironia total, nos transformamos nos algozes dos quais julgamos nos defender. Hoje temos medo de nós mesmos, e não por acaso, pois já demos provas suficientes do que somos capazes.

Clarice Lispector, no seu escrito Mineirinho, traduz o sentimento com relação a tudo isso. Infelizmente somos também responsáveis pelo que acontece, por ação ou omissão, no cuidado com o outro, no exercício da alteridade.

Mais de quarenta agulhas no corpo de uma criança, mãe e filha esmagadas por um carro em busca de adrenalina, idosos enjaulados pelo que proporcionavam de lucro.

Quem somos nós? Onde vamos parar?

Um amigo presente na operação do abrigo monstruoso, relatou que uma das idosas enjauladas chamava, de maneira doce, uma das promotoras presentes na ação. Dizia ela, moça bonita, venha cá! E repetia, moça bonita, venha cá!. Quando se aproximou a promotora percebeu que a mesma se servia das suas próprias fezes como alimento, e imaginava poder partilhar.

Quem somos nós? Onde vamos parar?

Como disse brilhantemente Malu Fontes, não é apenas o dono do abrigo o criminoso responsável por tudo isso. Essas pessoas possuem familiares, possuem alguém, e quem abandona é tão monstruoso quanto quem explora. O que também assusta, ainda segundo a professora Malu Fontes, é que o abrigo recebia dinheiro público, sem ter alguma forma de controle, de fiscalização. Porém, o que mais assusta, é que somos nós seres humanos protagonistas de tudo isso.  

Pagávamos pela barbárie, fazemos a barbárie.

Quem somos nós? Onde vamos parar?

Pior que sabemos a resposta.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009



ATÉ LULA SABE...
Acredito que ninguém duvida das "boas intenções" originais do governador Wagner, mas também não há como tapar o sol com a peneira,  de que o seu governo é pífio, e de que o poder pode corromper.
De uma das promessas de Lula para ser o seu sucessor em 2010, passou a reinar o silêncio constrangido de um Governo que não consegue se encontrar. Seria Wagner ou Dilma para a candidatura presidencial, hoje NINGUÉM mais fala em Wagner para não correr o risco de ser alvo de gozações. Só a trapalhada na eleição para Prefeitura de Salvador, já deu a dimensão do quão Alice do País das Maravilhas está o atual governo.
Na Segurança Pública os noticiários apontam para o crescimento vertiginoso da violência em toda a Bahia, bastando olhar para os poucos policiais em nossa própria cidade. Há dias que chega a não haver um policial no município.
Na saúde dengue e meningite -> o carro chefe do governo.
No funcionalismo, a aberração chamada REDA, peremptoriamente combatido pelo PT e por Wagner foi mantido, mas com a desculpa esfarrapada de que agora há uma prova. Ora, o problema mor é que funcionário público só por concurso!... Incrível é que mesmo fazendo uso deste artifício, o Governo é tão incompetente que inúmeras foram as escolas que ficaram sem professores no primeiro semestre de 2009, em Salvador os alunos de Pernambués várias vezes foram às ruas protestar.
Ainda no quesito funcionalismo, não podemos esquecer da atitude do Governo Wagner durante a greve dos professores, quando simplesmente mandou tirar do ar a consulta ao contracheque para não se saber se seria ou não cortado o ponto. Uma atitude terrorista para quem sobrevive do já achatado salário, e precisa pagar as suas contas.
Teria algo de Carlismo nesta atitude? Provavelmente não. Wagner e as suas boas intenções que deixam aquele lugar das altas temperaturas, cheinho.

Aproveitando o ensejo, esses dias ouvia a Rádio Metrópole, em Salvador, quando abordaram algo interessante com relação a grande parte do PT. Segundo o comentarista, o PT tem uma capacidade extraordinária de apontar as pessoas e fazer barulho, chamar atenção para qualquer coisa que venha daqueles que não são seus, ao mesmo tempo em que quando petistas (ou os que se dizem) praticam determinadas coisas ilícitas, mascaram a tal ponto que ainda se pintam de santos e perseguidos. Bingo! É isso mesmo.

Por exemplo, só na nossa região, quantos processos contra petistas por ROUBOS, PERSEGUIÇÕES, AGRESSÕES, estão em andamento?

Pois eles podem até ser condenados, como já foram, mas continuam com a cara mais lisa do mundo, a apontar outros políticos. E ai de quem ouse fazer uso da Liberdade de Expressão para falar destas coisas, serão perseguidos pelas línguas e tapas.

Isso é tão forte no PT, que até mesmo entre petistas pode se desencadear atritos. Recentemente o Dep. Federal Bassuma comprou briga ao fazer declarações sobre o Governo Wagner. Terminou por esta e outras coisas, pulando fora do PT e indo para o PV!...
Em suma, que o Governo Wagner se cercou de incompetentes -> é claro, que o seu governo não anda todo mundo sabe, que as prefeituras petistas são privilegiadas em detrimento das outras -> é só entrar no portal da transparência, que quem vive carrapateando o seu governo vai defender e dizer que tudo isso é mentira -> é óbvio...

Mas uma coisa, ninguém pode negar: Por que Lula, nem de perto, fala mais no seu ex-pupilo Wagner para a presidência? Porque o nosso presidente Lula sabe de tudo, não é besta.

Ô decepção!

sábado, 12 de dezembro de 2009


UM MÊS SEM ÁGUA
Há um mês aproximadamente que as pessoas da localidade de Fervente sofrem com a falta d´água. A bomba que leva água para tal localidade se encontra queimada, e até agora a Prefeitura nada resolve. Enquanto isso os moradores sofrem, principalmente pelo período de picos de calor que estamos enfrentando.
Pessoas idosas, crianças, doentes, todos sujeitos a baldes e potes, na tentativa de suprir a falta que a água faz em suas casas.
Mas será que falta água também na casa dos políticos desta cidade? Certamente não. Por isso falta sensibilidade para resolver tais questões.
Enquanto isso acontece o que assistimos são pessoas se beneficiando de maneira suspeita da nossa cidade. Por exemplo, quem é, em Pombal, que nestes poucos meses de gestão já se encontra com moto e carro importados, caríssimos?
Ribeira continua sendo uma mãe para as mutucas do poder, e uma madrasta má para seus filhos e filhas.
Que os funcionários pagos com o dinheiro dos nossos impostos cumpram a sua responsabilidade, e resolvam de uma vez o problema em Fervente. É desumano privar de água qualquer ser vivo, e uma vergonha ainda maior fazer isso com quem paga por ela.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009


(Cacique Lázaro)

Coelba terá que indenizar Comunidade Kiriri
Sentença obriga o pagamento de uma compensação  financeira mensal


A Justiça Federal em Paulo Afonso (BA) acolheu parcialmente pedido do Ministério Público Federal (MPF/BA) e determinou que a Companhia de Eletricidade da Bahia (Coelba) não entre no território pertencente à Comunidade Indígena Kiriri sem autorização prévia da Fundação Nacional do Índio (Funai).
A sentença, publicada no último dia 27, determina também o pagamento de indenização à comunidade pelo uso indevido das terras e danos sócio-ambientais causados ao longo dos anos pela utilização da faixa de terra indígena, no município de Banzaê (BA), a 213 quilômetros de Salvador.
Os problemas gerados pelo uso de faixa de servidão de terra indígena pela concessionária foram alvo de ação civil pública proposta pelo MPF/BA em 2007. Os procuradores da República Sidney Madruga e Israel Gonçalves, autores da ação, já haviam obtido, nesse mesmo ano, uma liminar da Justiça Federal em Paulo Afonso deferindo em parte o pedido do MPF para que a concessionária não interrompesse o fornecimento de energia elétrica à Comunidade Kiriri. A liminar obrigou também a companhia a deixar de enviar o nome de integrantes da comunidade, eventualmente inadimplentes, aos Cadastros de Proteção ao Crédito.
A linha, com 69,7 km, e a rede de distribuição, de 32 km de extensão, geram inúmeros prejuízos sócio-econômicos e ambientais ao povo Kiriri. Relatório da Funai citado na ação destaca entre os principais danos ambientais a restrição do uso do solo; culturais, a constante interferência causada pela entrada de estranhos nas comunidades para manutenção das linhas elétricas; e sócio-ambientais, a falta de um programa de comunicação da concessionária sobre os riscos diretos e indiretos gerados pelo empreendimento.
A sentença obriga, ainda, que a Coelba efetue o pagamento de uma compensação financeira mensal à comunidade, correspondente a 5% sobre o lucro que obtém mensalmente com a comercialização da energia que perpassa através da rede elétrica que atravessa o território dos Kiriris. Além disso, a concessionária deverá retirar os nomes dos indígenas devedores do Sistema de Proteção ao Crédito (SPC), devendo abater o total do débito do montante indenizatório.
O pedido do MPF foi atendido parcialmente em função de a Justiça ter entendido que permanece o dever do Kiriris de honrar suas dívidas mensais decorrentes do consumo de energia elétrica e a prerrogativa da Coelba de adotar medidas contra o inadimplemento. Diante da situação, várias reuniões e acordos preliminares foram feitos com as partes envolvidas. Porém, desde a primeira delas, em 2003, a Coelba não honrou com o compromisso de pagar a indenização, de retirar 400 nomes de kiriris do SPC e de treinar “indígenas comunitários” para realizar a manutenção da rede elétrica.
Histórico - O procedimento administrativo que apurou o caso foi instaurado em 2001 após representação dos kiriris sobre os prejuízos provocados pela linha de transmissão e a rede de distribuição. A pedido do MPF, a Funai apresentou um diagnóstico preliminar no qual expôs como os indígenas eram obrigados e constrangidos a conviver com a malha elétrica instalada pela Coelba sem qualquer licenciamento do poder público.

FONTE: http://www.radiometropole.com.br/index_noticias.php?id=VFdwQmQwNVVUVDA9

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009


UM SOFRIMENTO (CHAMADO) REGIONAL
Quem é usuário do serviço da Viação Regional sabe o martírio que é depender desta empresa. Depender, no sentido mais literal do termo, pois a mesma detém o monopólio dos transportes intermunicipais da maior parte dos municípios, entre Salvador e Paulo Afonso.
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Ônibus desconfortáveis, invariavelmente com o ar em péssimo funcionamento, ou mesmo sem funcionar, consequentemente com as janelas vedadas e um calor infernal. Pelo menos duas vezes vivenciei o ar condicionado parar, e tivemos que continuar no carro entre abanos e sentimento de impotência.
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Falando em janelas lacradas, é tragicômico quando entramos em Paiaiá (Nova Soure), cujo sucateamento dos carros faz entrar uma nuvem de poeira, já que a estrada se encontra em péssimo estado, onde o asfalto praticamente não mais existe. Depois desta experiência ninguém precisará conhecer o Saara, a tempestade de areia em laboratório automotivo já da uma idéia.
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Aberração constante da Viação Regional também é a utilização dos Micro-ônibus para viagens com distâncias superiores a 150km. Gordos e magros, altos e baixos, crianças e adultos, todos espremidos num cubículo sem acessibilidade, onde as poltronas sequer permitem recostar para descansar durante a viagem, assim como a circulação sanguínea é passível de ser comprometida, por conta das pernas travadas durante o trajeto.
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Realmente o passageiro não é uma prioridade para a Regional. Mas por que seria se monopoliza tudo? Foi ela, por exemplo, que de maneira mesquinha brigou contra a gratuitade para as pessoas de terceira idade, cuspindo no Estatuto do Idoso.

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 Se já não bastasse tudo isso, há indícios que a empresa está fazendo circular um ônibus mórbido. Salvo engano, o carro de Sítio do Quinto seria um carro da Jauá que sofreu um acidente vitimando 14 pessoas. O carro teria sido recuperado, mas continuaria com os mesmos estofados, na ocasião empapados de sangue. Quem já andou diz que o carro fede muito, um cheiro de sangue insuportável, provavelmente misturado com os odores já nada agradáveis dos ônibus.
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Diante de tudo isso, no entanto, não adianta chorar, espernear, nem reclamar na AGERBA. Os escândalos recentes nos dizem tudo, explicam, desesperam, imobilizam a todos. 
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Parafraseando o ditado popular: estamos num mato sem cachorro, e à espera de um ônibus da Regional.
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Ninguém merece.