domingo, 27 de fevereiro de 2011

TIROS NA SEGURANÇA PÚBLICA


A Segurança Pública na Bahia é um dos pontos críticos, quando se trata dos problemas que marcam o nosso estado. Sentimos isso no clima de insegurança crescente que toma conta das nossas cidades. Parece haver menos policiais que bandidos, e estes cada vez mais ganham terreno, dada a ineficácia ou até mesmo inexistência de estratégias de ações de controle, por parte daqueles que têm como atribuição garantir a segurança.

Como exemplo, temos os tiros ontem no povoado de Barrocas, que assustaram e ameaçaram quem estava participando de uma festa. Policiais foram solicitados, mas no momento dos tiros lá não mais estavam. No lugar deles, armados e perigosos, jovens que não vêem problema algum em transitar por aí armados, exatamente pela sensação de que não serão flagrados, punidos, enquadrados nos rigores da lei.

O presente conflito é mais um desdobramento das rixas que se disseminaram entre os jovens de Ribeira do Amparo. Brigas, juras de morte, armas, protagonistas de uma página triste e desnecessária da nossa história. Outra consequência disso é a desistência dos estudos por parte de alguns alunos do Ensino Médio, coagidos por rapazes da sede do município, quando precisam vir das suas comunidades para estudar, durante o ano letivo. Onde chegamos?

Esperamos que as autoridades competentes tomem pé da situação, que está de mal a pior. A sensação de impunidade, de descontrole, de violência, está tomando conta de Ribeira e algo precisa dar um freio a tudo isso, e quem tem competência para fazê-lo, certamente, é a polícia, deve ser a polícia, para que não entremos  novamente na época em que a "espada era a lei", agora sendo a lei, a bala. 

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Da série: Ribeira Universitária

O RISCO DE REALIZAR SONHOS
... parabéns Erik Michel, parabéns Ribeira do Amparo!

Ser educador/a é algo que traz em si algo mais. Lidar com pessoas, idéia, sentimentos, histórias de vida riquíssimas em humanidade, é certamente algo que podemos chamar de divino. Escolhi esta profissão pela possibilidade de tentar influir positivamente na construção de um mundo melhor, mais justo, com a valorização de coisas como respeito e solidariedade.

A cada ano, entrar numa sala de aula é redescobrir esta paixão, é renovar a certeza de ser este o caminho, por mais que no Brasil e na Bahia não tenhamos as condições ideais para realizar um bom trabalho. 


Meus alunos e alunos são vistos na sua totalidade, complexidade, e recebem de mim um cuidado de quem lhes deseja bem. É assim que vivencio no meu dia-a-dia de professora coisas indescritíveis, encantadoras, emocionantes... Elas me fazem "guardar" utopias, acalentá-las no meu coração. Em Salvador e Ribeira,  cidade grande e cidade pequena, colégio particular e colégio público, profundos contrastes sociais, incessantes questionamentos e reflexões. 

Em Ribeira, a situação é mais desafiadora, por vezes angustiante. As limitações impostas pelo descaso para com a Educação, vão bloqueando os horizontes dos/as estudantes de maneira implacável. É muito difícil olhar para eles/elas na sala de aula, pessoas que caminham até ali superando inúmeros desafios ao longo da vida, com seus sonhos, inteligentes, e ver que provavelmente terão que se contentar com o Ensino Médio apenas, pela falta de condições materiais mínimas para conseguirem avançar nos seus estudos.

Até hoje tal constatação mexe comigo. Lembro-me quando passei no vestibular, algo que supunha impossível, uma imensa alegria tomou conta de mim, porém foi seguida de uma inquietação extrema. E os outros? Estudei a minha vida inteira em Ribeira, em escolas públicas, o feito até então inédito de conseguir entrar, como ribeirense, numa Universidade Pública, não me fez esquecer tudo o que vivi, as pessoas com quem vivi, pelo contrário, sempre me chamou à responsabilidade de ter que compartilhar isso com meus conterrâneos/as.

Por tudo isso, é que estou aqui agora, escrevendo este relato, compartilhando sentimentos e histórias, para falar da minha alegria pela conquista do meu aluno do Colégio Estadual Josefa Soares de Oliveira, Erik Michel Rodrigues de Souza, novo aluno do Curso de Nutrição da Universidade Federal de Sergipe. A sua conquista é a conquista de todos/as nós. Serve de estímulo e exemplo para Ribeira, quer seja para os políticos entenderem de que vale a pena e se deve investir em Educação, quer seja para os/as jovens perceberem o quanto vale a pena estudar, e é possível ir além.


(Erik Michel)

Ainda lembro do primeiro dia de aula com ele. Vibração positiva, inteligência...  Um futuro brilhante que se anunciava, e começa a se concretizar na sua trilha para a Universidade.  Quando solicitei o Memorial de Vida à sua turma, muitas coisas chamaram atenção, no dele a referência inicial à sua Avó Josefa Rodrigues de Souza, passando pela sua mãe Heliude, mostravam como sempre soube e sabe reconhecer e valorizar a família, as pessoas próximas que muitas vezes se sacrificaram, correram atrás de melhorias, lutaram por algo melhor.


(Professora Daiane e Erik)

Parabéns Erik! Aproveita ao máximo os anos de graduação, procure fazer a diferença onde quer que esteja. Como você, muitas pessoas da nossa cidade poderiam estar neste lugar, mas ainda não estão, também por isso faça valer esta conquista.

Nunca devemos deixar de acreditar nos nossos sonhos, e na possibilidade de realização de todos eles. Como diria o saudoso poeta Damário DaCruz,

TODO RISCO

A possibilidade de arriscar
É que nos faz homens
Vôo perfeito
no espaço que criamos
Ninguém decide
sobre os passos que evitamos
Certeza
de que não somos pássaros
e que voamos
Tristeza
de que não vamos
por medo dos caminhos


E que os nossos riscos sejam sempre assim, riscos de felicidade, de realização de sonhos.


Depois de Erik, iremos falar sobre mais alguns alunos e alunas, que apesar das já citadas dificuldades características de Ribeira, e de outras cidades como a nossa, conseguiram seguir adiante na sua formação educacional, e estão trilhando ou começando a trilhar os rumos da Universidade.